Na noite do dia 17, meu branquinho chorou... Eu fiquei tão triste, me cortou o coração. Não sei ao certo explicar, mas desde o dia do meu aniversário as coisas estavam meio esquisitas... parece que nao estavam nos eixos, eu estava muito tresloucada no trabalho, Luana com problemas na escola, parecia que nada dava certo, além do meu relacionamento que havia começado há poucas semanas... Sim, acho que foi esse o motivo pelo qual não dei importância aos sinais da vida, nos quais tanto acredito. Minha mãe atormentada sem motivo aparente e o branquinho nervoso com um SIMPLES procedimento que duraria apenas 60 minutos e me custaria APENAS um dia de hospital.
Oras, eu demorei 4 anos para fazer o tal procedimento simples, investiguei 5 médicos, sendo que dois deles mastologistas em SP de renome. Eu seria somente mais uma das milhares de mulheres que todos os dias colocam prótese de silicone, após a retirada de malditos nódulos de fibroadenoma que tanto persistem em tomar meu corpo.
Acordei calma, tranquila, peguei o carro e rumo à Santa Casa, já imaginando a minha marca de biquini curtininha e o visual repaginado que poderia curtir ao lado do branquinho que já me fazia tão feliz. Ele foi comigo, internamos, e pontualmente às 8 horas da manhã eu fui pra mesa de cirurgia, feliz da vida, sem saber tudo o que iria passar depois que acordasse do soninho que a querida Yara me proporcionava naquele momento. "- Tchau meu amor, eu já volto tá? Não fica preocupado que já deu tudo certo! Te adoro lindo!"
Andar deitada em cima de uma maca pelo hospital é memso emocionante, conduzida pelas enfermeiras, chego à sala de cirurgia sorrindo para o destino cruel. Puff! Apaguei.... de repente, eu escuto a voz grossa e sexy do meu braquinho e o barulhinho inconfundível das pulseiras da minha mãe... eba, eu estava retornando ao quarto, acordando... sem dor, eu estava de volta, e já já iria embora pra casa, seguir a minha vida com o propósito de conseguir dissolver mentalmente todos os nódulos que restaram, sem contar que mais nenhum cresceria no meu organismo. Eu acordei, mas me sentia fraca demais, tinha algo de estranho... " - Você sangrou muito Ana Paula, a sua cirurgia sangrou muito, fiquei uma hora e meia cauterizando seus vasinhos, que não paravam de sangrar, demorou três horas a sua cirurgia".
Tonta ainda da volta da anestesia, não sabia direito o que estava acontecendo e para falar a verdade não me lembro muito bem desta cena, mas parecia que eu estava em uma caverna escura, rodeada de gente que eu conhecia e que não conhecia, mas naquele momento eu não me dei conta disto.
Eu sentia muito calor, suava frio, quase não conseguia comer, muitos enfermeiros entravam e saíam do meu quarto, era muito movimento de gente lá dentro, parecia que algo não estava bom, só falavam da minha pressão que estava baixa, que eu estava ficando roxa, e como num passe de mágica de repente eu estava na mesa de cirurgia novamente, sendo operada novamente. O que era aquilo? Alguém poderia me explicar? Sem entender nada lá estava eu novamente, vendo meu braço esquerdo ser brutalmente esticado por algum enfermeiro que tinha pressa e o Vitinho, anestesista aplicou a injeção falando: "Fica calma!" Oras, eu estava calma, afinal ainda estava sedada, não sabia ao certo o que é que estava acontecendo... Eu não conseguia raciocinar e pensar em nada.... Puff! Apaguei novamente....estava entregue novamente ao sono profundo...daqui para frente eu não consigo lembrar de quase nada e confesso que não tenho muita força para escrever, tampouco para lembrar, pois foi triste, me caem as lágrimas de medo até agora.
Quando estava no quarto novamente, só lembro de flashes, não sei dimensionar o horário ao certo, só sei que eu respirava com aparelho de oxigênio e que minha mãe e o branquinho estavam ali do meu lado...
O branquinho esteve do meu lado durante a noite inteira, a primeira noite no hospital.
O branquinho esteve do meu lado durante a noite inteira, a primeira noite no hospital.

